Contra Santana - Encerrado a 10.03.2005

domingo, novembro 21, 2004

Celso Furtado (1920-2004)



"preferi a economia como minha vocação (...) se reduzir a pobreza pelo uso da análise económica para acelerar o crescimento e, dessa maneira, elevar as pessoas a empregos rentáveis e sustento digno não é um imperativo moral, o que é que é?"

Esta frase de Jagdish Bhagwati poderia provavelmente ter sido subscrita pelo economista brasileiro Celso Furtado, ontem falecido.

Furtado foi um dos maiores e mais influentes economistas latino-americanos deste século. Desenvolvendo a parte mais inovadora da sua obra nos anos 50 e 60, seguiu naturalmente a tendência designada como "economia do desenvolvimento", aplicando as suas investigações em especial ao caso brasileiro e à explicação para o subdesenvolvimento. Negou a este o carácter de etapa necessária do crescimento, e apontou à excessiva concentração da riqueza (e das estruturas políticas que o acompanham) responsabilidade decisiva na manutenção desse subdesenvolvimento.
Além da importância decisiva do seu pensamento para a generalidade das ciências socias na América Latina, Celso Furtado destaca-se também na luta pela democracia (a oposição ao regime saído do golpe de 1964 valeu-lhe o exílio). Manteve até ao fim da vida intervenção intelectual lúcida e marcada por um profundo humanismo, do que é exemplo este pequeno texto, um dos seus últimos. Por tudo isto, Celso Furtado fica credor da nossa gratidão e homenagem.



 
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