Contra Santana - Encerrado a 10.03.2005

terça-feira, novembro 30, 2004

Período experimental

Pensei desde o início que Jorge Sampaio tinha tomado a melhor decisão em termos de princípio, mas não a melhor decisão em termos de circunstância. Ou seja, entendo que, em teoria, uma maioria estável deve poder mudar de liderança ( e de primeiro-ministro) sem recurso a novas eleições. Mas que a figura apresentada (Santana Lopes) não tinha condições mínimas para o lugar.
Os seus talentos para o improviso vão dando para a gestão de um pequeno município (como a Figueira); dão-se mal com um município grande (como Lisboa); e são a receita para o desastre no país. Creio que esta é uma opinião que o PSD geralmente partilhou, dados os resultados obtidos por Santana nas suas candidaturas à liderança do partido.
É por isso compreensível o drama da decisão de Sampaio, que não quis um decisão com um fundamento ad hominem. Para o presidente, seria difícil apresentar ao país um discurso do género "estabilidade sim, mas com este gajo não".
Após o desastre destes quatro meses, é altura de Sampaio repensar a sua decisão. Ele deu uma oportunidade à estabilidade, mas a receita não gerou essa estabilidade. Acabou o período experimental (240 dias, nos termos do código de trabalho, para os cargos de chefia) e o empregado, claramente, não serve.

P.S. Curiosamente, a decisão que Sampaio deve tomar corre o risco, mais uma vez, de desagradar ao PS. Que preferiria eleições quando a sua alternativa de governo estivesse consolidada e o PSD se tivesse afundado para números semelhantes aos que o próprio PS experimentou em 1985.

1 Comments:

  • É pá! É incrível! Estou pasmado... é qu esta posta é exactamente o que eu penso acerca deste assunto, poderia tê-la escrito eu próprio, palavra por palavra... é bom encontrar assim, digamos, uma cabeça gémea. Como dizem aqui em baixo, boa malha!
    José Farinha

    By Blogger ci4cc, at 5:40 da tarde  

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