Contra Santana - Encerrado a 10.03.2005

quarta-feira, novembro 24, 2004

Quem vê TV sofre mais que no WC

Socorro-me dos épicos Taxi para tentar descrever a náusea profunda que me invadiu ontem à noite enquanto via um pouco de televisão.
As coisas começaram mal: Lucky Lopes, superiormente acolitado pela demissionária Judite de Sousa, teve direito a um vasto tempo de antena onde debitou um vasto chorrilho de imbecilidades, tangas e promessas irrealizáveis. Defendeu o ex-adicto e Rui Bronco da Silva como melhor pôde e entendeu tentando justificar aquilo que à saciedade já ficou demonstrado que era injustificável... A questão que se me colocou foi apenas a seguinte: Lucky Lopes é mentiroso porque tem que ser, é mentiroso porque tem uma pulsão incontrolável para tal ou é absolutamente inconsciente e faz todo aquele tipo de promessas porque nem sequer sabe sobre o que está a falar? Em qualquer dos casos, a resposta não pode deixar de ser perigosa para todos nós!
Prosseguindo, e em busca de novos ares, mudei para a SIC Notícias: estava a começar o debate entre os três candidatos a bastonário da Ordem dos Advogados. Absolutamente repugnante!
Entre propostas que consubstanciam um cinzentismo tradutor de "mais do mesmo", o gongorismo próprio dos vaidosos e o destemperamento peculiar de quem só sabe fazer campanha pela negativa, vi de tudo.
Com tantos laivos de projectos de poder pessoal ali manifestados, questionei-me sobre se algum dos candidatos seria alguma vez capaz de despir a farda corporativa e apresentar propostas concretas reveladores da necessária integração da função ético-social do advogado a que António Arnaut tantas vezes alude.
Mais! Questionei-me igualmente sobre se algum daqueles candidatos era capaz de apresentar um projecto coerente, sério e credível que fosse minimamente perceptível para os seus pares que (eventualmente) estivessem a ver o debate.
Devo dizer que, em ambos os casos, a minha própria resposta foi negativa! E se não se conseguem convencer os próprios advogados, como querem aqueles candidatos transmitir para o grande público uma imagem de afirmação e, mais do que isso, necessidade da Ordem dos Advogados em si?!?!?! Não estaria na altura de parar para pensar?
Finalmente, chocou-me que os moderadores do debate (João Adelino Faria e Sofia Pinto Coelho) tivessem reiteradamente referido que mais de 23000 advogados iriam escolher um novo bastonário. O número, em si, talvez seja exacto, mas há que referir que o universo de votantes é tão alargado, porque existe uma disposição legal absolutamente inconstitucional que obriga ao voto, sancionando pecuniariamente os que não o fizerem. É, enfim, a norma que existe para se poder afirmar que os advogados estão mobilizados em torno da sua entidade reguladora, porque, de outro modo, estou piamente convencido que a taxa de abstenção seria bem superior aos 50% tal não é o divórcio patente entre os advogados e a sua clique dirigente... Esperemos melhores dias!

1 Comments:

  • Um comentário bastante simplista à 2ª parte: ainda bem que o voto é obrigatório!! Porque a abstenção só revela o que as pessoas esta se estão a lixar para as coisas... e graças a isto o país está como está!!! O voto branco esse sim...é democraticamente correcto!!! Ele revela não a indiferença mas revela que nenhum dos candidatos vale alguma coisa....É sempre uma forma de protestar...

    VIVA AO VOTO OBRIGATÓRIO!

    By Anonymous Anónimo, at 11:21 da tarde  

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