Contra Santana - Encerrado a 10.03.2005

terça-feira, fevereiro 15, 2005

O luto - parte I

O luto - o pesar que sentimos pelo falecimento de uma pessoa ou várias - é um sentimento muito pessoal. Sentimos, em Portugal mais o luto pelas dezenas que morreram em Entre-os-Rios do que pelas centenas de milhares que morreram na Ásia. Sentimos mais o luto pela morte de um familiar ou amigo do que por uma catástrofe distante. O luto depende da proximidade.
Quando se trata de uma figura pública, o luto vai depender da nossa empatia com a pessoa. Para mim e outros que não são cristãos, bem como para os cristãos que acham que Fátima é uma crendice, a morte da Irmã Lúcia de Jesus é um facto que não provoca qualquer sentimento de luto. Decretar o luto nacional provoca-nos alguma incomodidade. Não o decretar seria incompreensível para todos os que partilham da devoção que, ano após ano, testemunhamos.
O luto nacional poderia ser o luto do Estado, com um critério institucional (morte de chefes ou chefes do governo ou de Estado, por exemplo). Não é, nem tem sido, essa a interpretação que se dá à figura. Assim, ficará sempre patente a contradição insanável entre o decretar oficial de um sentimento pessoal. Quem merece o decreto?


 
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